Lucien Vieira

NADA

(Lucien Vieira)

 

Nestes tempos,

os dias me oportunizam

perambular por aí.

 

E, assentado no aconchego

de meu tamborete,

vejo tudo.

 

Vejo tudo,

sobretudo,

o nada.

 

O nada ascendente,

que confisca

as paragens menos avisadas.

 

Inteligente,

que encanta,

mas ilude.

 

Que é crônico

e transmissível,

quase imperceptível.

 

O nada que é tudo,

mas que é tão somente nada.

 

Néscios são os que

andam, andam...

e nada.