Quando me desalinham,
é como se mexessem nos fios secretos
que sustentam meu silêncio.
Tudo dentro de mim se desloca,
como móvel antigo fora do lugar,
rangendo memórias que nunca contei.
Não é a discordância que fere,
é o desalinho —
a quebra suave
entre o que digo
e o que o mundo escuta.
Fico pequena
entre ruídos que não são meus,
tentando costurar sentido
no que se perdeu
entre uma palavra e outra.
E enquanto tento me recompor,
sinto minhas bordas amolecerem,
como tecido molhado
pendendo ao sol da tarde,
esperando que alguém veja
que, por dentro,
a mudança de tom
já virou tempestade.