Arthur Mello Noos

Abismo

Antecipe no peito a verdade absoluta,
onde o chegar habitual não deixa de ser espetáculo,
quando se sabe de onde se adivinha o improvável.

Capacidades desgrenhadas de desesperados secos de lágrimas,
ausentes em sua obsessão por tudo o que não entendem,
dançam chamas com o vento sem aquecer a saudade em seus braços.

Fios ruivos selvagens em dias revoltos,
lábios em flor, rosas vermelhas desenhadas.

Morro como? — sem beijar-te, jamais terei a paz do não e nem do sim.
Sonho conturbado, pesadelo vicioso.

Bestiais senhoras da dúvida, mãe das tragédias,
abandono da razão, caminho da loucura.

Flutuo rodeado por incertezas de tudo o que pode não vir a ser.

 

Arthur de Mello Noos