Eu morri
Naquele 13 de dezembro em que a chuva caia e levava com ela o orvalho
Eu morri
Naquele dia em que o Sol erradiava tão forte e os pássaros cantavam tão alto que a cidade parecia floresta
Eu morri
Naquele dia em que as estrelas brilhavam tanto para contemplar o alinhamento dos planetas
Eu morri
Morri na terça, na sexta, no sábado e na segunda
Eu morri
Morri enquanto comemorava uma conquista que me demorou a vir
Morri quando meu máximo foi desprezado e o mínimo de outros contemplado
Eu morri
Morri ao ver o esforço se apagar
Morri quando meu sorriso foi ignorado
Morri
Eu morri todas as vezes em que olhei para o céu e desejei as estrelas
Eu morri
Morri quando eu me olhe no espelho e tudo que eu vi foi alguém que eu já não conhecia
Reconhecia
Morri
Quando a imagem se distorcia
Quando tudo que eu via era um borrão
Morri quando eu não sabia onde estava ou para onde caminharia
Morri tentando encontrar o alvorecer perdido
Morri quando nada mais poderia viver
Morri quando desisti
Morri quando tudo que eu tinha era vontade de viver
Morri quando a vida me derrubou
Morri quando ninguém me levantou
Morri sozinha
Morri ao lado de um corpo que eu olhava e se decompunha a anos em agonia
Morri e reconheci que aquele corpo decomposto a anos era a casca que habitava até minutos atrás
Eu Morri