Desde o início, quando o mundo era sombra,
e o saber, chama que vacilava,
foi uma mulher quem ergueu os olhos ao céu:
Hypatia, em Alexandria,
coroou de matemática e filosofia
a luz que ousava nascer.
Marie Curie, com mãos ardentes,
rompeu o átomo, mais que raio brilhou.
Dois Nobéis repousam em sua história,
mas a eternidade mora em sua coragem.
Lise Meitner, exilada, revelou ao mundo
que o núcleo podia se quebrar,
e do estilhaço surgia tanto luz quanto terror.
Emmy Noether escreveu nas tábuas da física
o poema secreto das simetrias.
Ada Lovelace sonhou algoritmos em versos,
pintando futuros em engrenagens ainda por nascer.
Grace Hopper libertou as máquinas,
ensinando-as a falar, a pensar.
Katherine Johnson, com cálculos de cristal,
traçou trajetórias que levaram à Lua,
e Rosalind Franklin, com olhos de raio-X,
capturou a espiral da vida.
Barbara McClintock mostrou que os genes dançam,
como aves migratórias, pela terra.
Tu Youyou, da sabedoria antiga,
trouxe da planta a cura da febre.
Nise da Silveira, com pincéis e ternura,
fez do delírio humano um jardim colorido.
Jane Goodall escutou os chimpanzés,
Rachel Carson ouviu o choro da Terra,
e Bertha Lutz defendeu, em parlamentos,
a voz das mulheres, silenciada, ressoando.
Vera Rubin enxergou o invisível,
descobriu a matéria que sustenta as galáxias.
Margaret Hamilton, em código, bordou
a epopeia que pousou na Lua.
Valentina Tereshkova, em sua cápsula,
dançou nas estrelas, poema sideral. São tantas, são todas, mais que nomes, são raízes que sustentam o mundo,
flores que desafiam o inverno,
estrelas que se recusam a apagar.
Mulher — essência primeira da vida,
chama eterna da humanidade.