Vai ver eu ainda seja aquela garota lá do passado,
esperando ônibus de escola sozinha, sem nem entender direito a vida.
Cansada, meia caída, cabeça cheia…
e achando que rezar baixinho pelos cantos ia resolver minhas confusões de “menina má”.
Mas aí a gente cresce, né?
Aí aquele príncipe que prometeram vira só um chato que enche o saco,
um cara comum que não salva ninguém.
E a gente percebe que o mundo não é conto de fadas —
é corre, é cobrança, é desilusão na terça-feira de manhã.
E quer saber?
A vida não é sobre parar de sonhar…
é sobre aprender o pulo do gato,
pegar malandragem mesmo:
saber quem vale a pena, quem só enrola,
quem fala bonito e quem fica junto na hora ruim.
Bobeira é viver no faz de conta.
Real é assumir que crescer dá trabalho,
que tem que ter olho aberto,
coração esperto
e alma firme pra não se perder por aí.
No fim, a malandragem é isso:
não virar pedra, mas também não ser boba.
Viver o mundo com mais coragem
e menos ilusão.