O que eu poderia fazer com a humildade,
Se o mundo me aplaudia pela vaidade?
Cometi pecado por ser egoísta?
Ou apenas quis vencer, como oportunista?
Recusei-me a sentar à mesa do pobre,
Pois o meu nome era rico, e meu gosto era nobre.
Mas, se a doença me toca — como de facto tocou —
O médico é o mesmo que ao indigente socorrou.
E Deus?
O que Ele poderia me oferecer,
Se tudo que os homens sonham, eu consegui ter?
Me perguntam: “Por que não és cristão?”
Mas afinal… era obrigação?
Na juventude, no auge do meu vigor,
Eu era meu deus, meu próprio senhor.
Nada me faltava — nem ouro, nem fama,
Enquanto desprezava quem dormia sem cama.
Mas agora estou aqui…
Frágil, débil, sem força nem glória,
Contemplando minha humana trajetória.
E percebo — tarde demais — com dor,
Que nunca fui grande, nunca fui superior.
Sinto frio, fome, medo, tristeza,
Tal como o pobre que ignorei com frieza.
Tenho as emoções de um simples mortal,
Sou feito de carne, sou tudo… menos imortal.
Minha maior dor hoje não é morrer,
É saber que o dinheiro não pode me deter.
Posso comprar o mundo, um reino, um palácio,
Mas não compro minutos… não nego o espaço.
Num dia qualquer, por volta das dez,
Serei deitado, sem luxo aos meus pés.
Enterrado num buraco qualquer da cidade,
Onde jazem todos — em cruel igualdade.
E me pergunto, ao fechar meus olhos em vão:
“Por que eu deveria ser cristão?”
Talvez, porque ao fim, percebi na solidão,
Que o que salva o homem…
…não é a ambição,
Mas o amor, o perdão, e a compaixão.
A.G in\" Porquê não sou Cristão\".