Desde muito cedo
Sempre fui roceiro
Com o peso da enxada na mão
A caneta caía, dada minha condição
Do norte ao sul
Do Brasil vi todo o azul
Mas o peso na mão
Me fazia ir na outra direção
Do Português, não tenho fluidez
Da Matemática, nem conta básica
Pra que ensinar a multiplicar
Se o salário tende a abaixar?
Bota pedra, bota cimento
Sobe o condomínio e cai no esquecimento
Do que adianta o bonito jargão
Se nas escolas só repetem mesmo esse refrão
É nessas fórmulas prontas
Que o quadro da sala aponta
O mundo lá de fora nós conta
Que para enfim entendê-las
É preciso antes, vivê-las