É dor
silenciosa, funda, que não grita,
mas aperta devagar —
como se soubesse o caminho do peito
melhor que eu.
É despedida.
Aquela que não se escolhe,
que chega sem pedir licença
e leva tudo o que um dia foi abrigo.
Dói a partida,
não pelo ir,
mas pelo ficar —
ficar com o vazio,
com o cheiro no ar,
com o nome preso na garganta.
Lágrimas escorrem;
sem nem pedir permissão.
É como se o corpo soubesse
que precisa levar o que o coração
não consegue segurar.
É chegada a hora,
mesmo que ninguém esteja pronto.
E talvez ninguém esteja mesmo.
Mãos soltas,
desfazendo o último laço,
como se a pele dissesse adeus
antes das palavras.
Almas separadas,
mas com um fio invisível ainda pulsando,
como quem sussurra:
\"fui,
mas parte de mim ainda te toca.\"
27 ago 2025 (12:19)