Zaira Belintani

Onde estão as Palavras?

Disfarçadas nos sinais, nos signos,

incógnitas nas entrelinhas,

subjetivas no olhar.

Palavras 

nascem, vivem, e desaparecem, 

mas são eternas em sua essência.

Busco por elas:

Literais, metafóricas,

dissimuladas, explícitas,

silenciosas, nunca ditas.

Palavras são infinitas.

Na pureza da poesia

palavras serão sentidas,

ora em doce deleite,

ora setas pontiagudas

no alvo, a alma dorida.

Há palavras 

que se escondem

quando delas mais preciso.

Zombam de mim, 

escarnecem da minha cegueira,

por eu não achar contexto. 

Pobres palavras sem eira nem beira.

Acabam amarrotadas 

em bolinhas de papel

no fundo da lixeira.