eu queria era um canto torto de corruíra
acompanhado de viola de bambu plantado
que recitasse raízes e cerne das árvores
e entoasse das pedras seu mole coração
é que a gente necessita de um hino menor
que fale do orvalho e das poeiras de chão
um louvor que retrate a saliva dos capins
e a respiração molhada que há nas fontes
então voa, minha avezinha, voa
e pousa no estribilho este brilho teu inato
pois as canções assim há muito se calaram
e às vezes escuto só a sombra da palmeira
que desenhei sob um sol de canto de folha
com traços duros de rochas e passarinhos
-- esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 19/08/25 –