A vida me serve um vinho com mãos de brisa,
como quem entende que o tempo precisa ser saboreado devagar,
em goles que embriagam de presença.
O estalo da rolha é um suspiro antigo,
despertando memórias que dormiam em barris de silêncio,
maduras de saudade e ternura.
Velas acesas dançam como poemas suaves,
traduzindo o silêncio em murmúrios de luz,
como se o fogo soubesse contar histórias sem palavras,
enquanto a casa, vestida de aroma e aconchego,
abraça meus passos com a ternura de um lar que escuta,
orgulhosa como uma mãe que prepara o ninho.
Na cozinha, uma receita nova me descobre,
e cada tempero é uma sílaba de afeto,
um bilhete secreto do universo,
me dizendo que o cotidiano também pode ser mágico.
O sol madruga comigo,
desenhando promessas no horizonte,
com dedos de ouro e intenções de recomeço.
E à tarde, ele se despede em um piquenique de luz,
vestido de laranja e saudade,
como quem deixa um bilhete no céu dizendo: “volto amanhã”.
Aquela amiga do peito, chega com risos nos bolsos,
e cada palavra é um fio que tece abrigo,
onde nossas verdades se deitam sem medo de serem vistas.
Nossas piadas — algumas tortas, outras absurdas —
fazem a alma sorrir mesmo quando o mundo parece cinza.
Quando a família se reúne como constelação,
cada estrela pulsando sua narrativa,
e juntas, desenham o mapa do afeto no céu da lembrança.
O universo muda de tom, como uma obra de arte que ganha nova luz.
Jogos de cartas embaralham o tempo,
como se o riso fosse capaz de dobrar os ponteiros,
e cada jogada fosse um pacto com o agora.
Esses prazeres — tão pequenos, tão imensos —
são brasas que não queimam, mas iluminam,
são versos invisíveis que a vida sussurra
quando a alma está quieta o suficiente para escutar.