Você não sabe por onde andei
As dores que enfrentei
Os amores que desencontrei
Ou os desamores que esbarrei
Você não ouve os gritos abafados
Os choros demorados
Seguidos de risos forçados
Sem abrigo
À procura de um colo com sentido
Ou apenas um olhar compreensivo
Que transcenda a matéria do ser
A falsa ideia do amar
E o desejo do ego de ter
O aceno que diz \"eu te vejo sem te ver\"
O aconchego que abraça,
Ainda que não saiba
Das madrugadas atormentadas
A calmaria que agita
Borbulha
Transborda
Retorna
A certeza concreta
Do que não se enxerga
Do que não se encaixa
Mas que existe
Vive
Nos intervalos em que os olhos piscam
E a visão escurece
A imagem que prevalece é daquele é
Mas, ainda assim, apenas seria