Antonio Luiz

Páscoa das folhas

silenciosa, a folha se despe do galho

como quem compreende o fim dos dias

e aduba a terra em derradeira prece

 

ela se faz pó pra ver rebrotar raízes

tenras, e que espreguiçam o seu verde

como se o outono parisse a primavera

 

não há lamento no ciclo de abandono

apenas mistério cobrindo o se deixar ir

pra depois voltar, e novamente partir

 

talvez sua cruz seja o ramo que cede

se há dor, não se conhece o sofrimento

só o aroma de fé, espalhado no vento

 

-- esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 17/04/25 --