Dama, vês meus incêndios de loucura
E da paixão que já muito lhe foi dita
Que tenho somente por ti criatura bendita
Que os carinhos tanto vivo a procura.
Para meus males de amor tu és a cura,
Mas teu coração amor não deposita
Ainda que este poeta tanto invista
Lapidar este coração de pedra dura.
Dama, da esperança nunca despeço,
Vivendo a luta muito empenhado,
A cruel derrota jamais reconheço.
Será grande alívio vencer o fado
Se nesta vida tiver doce apreço
De teu duro coração me chamar “amado”!