Vazia estava a rua
sem ninguém estava a passagem
sem sombra, sem barulho
sem volta, sem ida
não havia ninguém
só havia o solitário poste
perdido no meio do caminho
sem ninguém
sem ninguém estava a rua que definhava no silêncio da noite fria em pleno verão
se ouvia o som do vento
que cortava a mudez da noite sem pedestre
a rua que de manhã era cheia de vida
de noite era puro silêncio
sem sombra e sem sujeito era de noite a pobre rua
mas do outro lado da cidade havia gente andado de um lado para outro
e na rua o poste esperava sozinho
amanhecer