Celia Regina de Lima

Santo herege

Cândido espaço
perdido em minha alma,
fruto do amor tecido
e não vestido.


A vida e a morte
brincam na estrada,
os rios traçam seu norte.


Chove forte em meu juízo,
o sonho se desvanece
sem aviso.


Acordo
amedrontada
no choro contido da infância,
triste aliança.


Fujo, pulo e me envolvo
num manto que não protege,
santo herege.


O sol virou gelo
no reino da esperança,
cabe algum desvelo
em minha frágil dança?