A vida, esse rio que nunca cessa,
dança com passos que o tempo oculta.
Cada gota é uma nota no concerto,
e o silêncio — ah, o silêncio —
é o eco de quem somos.
Caminhamos com os pés marcados
na terra que nos acolhe:
somos hóspedes do chão,
e o solo, em seu murmúrio ancestral,
tece um poema inacabado,
feito de esperanças que brotam,
de abraços que prometem mundos
e ventos que falam sem palavras.
O amor, esse fio de luz sutil,
habita os detalhes esquecidos:
a brisa que acaricia o rosto,
o calor de uma mão que se estende,
o brilho de uma voz no olhar.
Ele não grita;
é como a chuva que cai sem pressa,
saciando a sede dos corações secos,
esperando, paciente,
o acorde perfeito de sua melodia.
Mas é preciso coragem para ouvir.
O mundo, com sua pressa e ruído,
nos cega para essa verdade.
Ainda assim, a felicidade encontra abrigo:
ela repousa no cotidiano,
não no amanhã distante,
mas no instante que escapa aos pedidos,
nos gestos pequenos,
que se revelam mais preciosos que sonhos.
Ela respira no agora,
no instante que vive e pulsa
ao alcance das nossas mãos.
Basta abrir os olhos,
escapar do véu do tempo
e enxergar o que sempre esteve lá.
Então, caminhemos juntos,
sem temer a pausa ou o tropeço.
Que cada ato de amor construa pontes,
e que o amanhã floresça
daquilo que plantamos hoje.
É no abraço do presente
que a esperança se desenha,
e na melodia do agora
que a vida encontra sua harmonia.