No entrelaçar de sonhos, um quase se fez,
Um romance vivido, onde o tempo não foi tão cruel,
O mais lindo dos quase, o amor que não se deu,
Um namoro imaginário, um enigma de um céu.
Não posso dizer que fui só eu a amar,
Mas o que me consome é o \"e se?\" a vagar.
E se eu tivesse falado o que sentia em meu peito?
E se a vida, em sua dança, nos tivesse dado um jeito?
As vezes me pergunto, em silêncio profundo, Se ao menos você gostou de mim nesse mundo.
Amor que transbordou, mais que eu mesma a amar, Como Jacó por Raquel, eu esperei, a sonhar.
Teus olhos, um espelho, o amor que eu vi, Era apenas reflexo do que eu tinha em mim.
Não te odeio, não, pois você não é a culpa, O que eu mais detesto é a dor que em mim pula.
Parece tão louco, tão idiota, eu sei, Eu, a abelha rainha, me apaixono e não sei.
Por uma flor que se fecha, que não quer se abrir, E sigo esperando, mesmo sem existir.
Vou te esperar, mesmo que o tempo se vá, Dez, vinte, trinta anos, não importa, eu estarei lá.
Seja como amiga, colega ou amante, Ou até como inimiga, meu eterno instante.
Assim sigo, Sol, com o coração a brilhar,
Nesse amor que é quase, mas nunca há de acabar.
Te espero na sombra, no sol ou na neblina,
Pois no fundo os seus sentimentos me empurram para uma colina.