AMORES PLATÔNICOS
Minha alma em cósmica vivência Encontra sempre em mim seu próprio mundo
Memórias se mantêm na confidência
Dos refolhos da alma, bem profundo.
Um segredo que é meu, se vagabundo,
Não busca eco em outra consciência,
Sou fiel a mim mesmo–não o difundo
A ninguém por num lapso, ou negligência.
Assim, guardo as mágoas–são-me tantas–
Segredadas num cofre de amargura,
Cicatrizes que o tempo não depura.
Mas confesso as lembranças tidas santas
Dos meus amores castos, sonhadores,
Pois deles não carrego dissabores.
Tangará da Serra, 17/09/2024