victoremmanuel

Carta para um ser amado

O sol poente era pragmaticamente o bebê que dormiu em teu ventre.

Naquela sombria manhã de agosto, o mundo tornou-se turvo, tudo deposto.

Você diria para perdoar-me se ainda estivesse presente em teu posto.

Desde então, vivi a vida preso em uma floresta, igual a um sessiliventre.

 

Se ainda vivesse em terra, saberia o quanto mudei nessas circunstâncias.

Se o bebê, que ambos amávamos, crescesse como rei,

Lhe benzeria tal qual fez aquele benevolente frei.

Se somente o céu daquele dia não me causasse distúrbios todos os dias...

 

Infelizmente, perdi você e aquele que marcava morada em teu peito.

Solenemente, nego tudo que me faz lembrar de tua face deslumbrante.

Me tornei o mais amargurado dos homens; a definição do preconceito.

Me tornei o admirador da lua das 19h e o maior inimigo do sol abracadabrante.

 

Estou morto, mesmo perante ao belo dia de agosto.

Sou sórdido por ainda viver e infeliz por não te ver.

Sou melancólico por ainda escrever e medonho por te perder.

Essa é uma vida que há muito se perdeu; sempre a pagar imposto.