Hoje amanheceu um dia triste,
Uma solitária nuvem assiste a essa tristeza.
Ela não se move, não se remodela,
Paira na abóbada, tão azul, com mau presságio.
Não sinto brisa sequer,
Nem folhas das árvores a sentem.
De novo procuro a nuvem... já se esvaneceu.
E vêm-me lembranças tão antigas, que numa sequência chegam até a mim...
Refugio-me no celular,
Vejo uma mensagem de WhatsApp:
\"Bom dia, bom dia.\"
\"Não tenha medo povo de Sião,
não desanime, tenha coragem\"... (Sofonias 13:16-17)
Depois do longo texto bíblico:
\"Uma abençoada terça-feira\"
Lembro a invasão de Gaza...
O climatizador se queimou e suores porejam,
Desejo um banho...a caixa d\'água me frustra.
E vem à tarde, a fiação eletrica na rua está solitária,
Não contem pombos
Um pássaro sequer visitou o meu jardim,
Algazarra de periquitos ao parlarem em revoada, hoje, falhou na sua trajetória.
Há uma solidão no ar
Um casal de araras grasnam,
antes havia um companheiro extra.
A tarde está muda,
Exceto pelo indefectivel arrulho de um pombo do vizinho.
A humidade do ar e o calor gritam.
Sinto um peso na alma,
Uma sensação de eternidade
Na prisão de leis cósmicas.
Não me atrevo a elaborar um soneto por desabafo...
Uma triteza sem resgate...
Sinto lágrimas...
\"Abençoada terça-feira?\"
Tangará da Serra, 30/04/2024