Eu já não choro mais.
Não sinto mais aquele espaço imenso
na minha cama,
nem o vazio em cada cômodo da casa
como se faltasse um pedaço de mim.
As coisas que eram nossas já se foram.
Ficou sua caneca de café personalizada;
nela plantei um cacto.
Deixo-a na mesa como enfeite,
ou como uma desculpa para ter um fragmento
de quando os meus dias começavam alegres.
Mas estou bem.
Já não vejo a manhã tão cinza,
já não adoço tanto o café.
Estou acertando o tempero da comida,
combinando melhor as roupas.
Troquei o vaso das plantas,
comprei novas mudas.
Pintei a casa de azul e cinza.
Ainda não estou cem por cento,
mas estou seguindo.