O CÉU NÃO ESQUECEU DE MIM
Morreram comigo todos os sonhos
Quando achei que os podia comprar
Como se compra objetos quaisquer
Sem merecer ou então se esforçar
Pensamentos vãos desalinharam
Nem mesmo temia por meu futuro
Pelo fato simples de nele não crer
Ao hoje abraçado, senti-me seguro
Investi em desejos, som e barulho
Rodas de amigos, de brincadeira
O que, algum dia, me dera orgulho
Num de repente tornou-se poeira
Senti minhas forças se esvaírem
Me enfraqueci pelo muito suor
Atrás de sombras que se moviam
E santos mudos em cima de andór
Em queda livre, qual folha ao chão
Um autogiro em turbulência
Perdendo altura e sem direção
Sem Torre Controle de referência
Ao derredor, pavor e destroços
Sombras de nada, e perto do fim
Um raio de luz no fundo do poço
Fez qu\'eu olhasse pra cima, enfim
Na amplitude da escuridão
D\'um céu vazio, sem luminares
Do infinito breu da extensão
Estrelas surgiram, e aos milhares
Havia um azul, vivaz, diferente
A lua perfez, no espaço, o fascínio
À mim, que estava, na vida, dormente
O Sol na manhã impôs seu domínio
Esplêndido céu, a terra e o mar
Quais descrevi, por versos sem fim
Como poderia dos tais não lembrar,
Se na minha aflição lembraram de mim?
( Elfrans Silva )