Um zumbido impertinente me persegue...
Ouço sinfonias fúnebres.
Às vezes são cantos gregorianos,
Outras são um tipo de marcha jamais cantada, ou escrita.
Sei que são fúnebres pelo espírito de luto que me impõem.
Às vezes são ilusões de fados vadios, no choro de uma perda sem nome.
Procuro-lhes a origem. E indago
Divago por vielas soturnas
e mal iluminadas onde o silêncio
é só a limitação auditiva ao meu mal.
Mas ainda o fundo funéreo persiste
– parte do zumbido.
Inexorável, não tem cura.
É um estigma que me coube.
Não há disfunção retrococlear,
Nenhuma causa orgânica detectada.
Esse espinho na carne,
Ouço tudo longínquo.
Deve ser da igreja, ali, tão perto.
Mas o perto só existe no iludido pensar.
E mais tristonho me torno.
Afinal, cheguei a decifrar o enigma dessa cruz:
Meus neurotransmissores gemem de tristeza.
Porque de ti me sinto tão distante.
E mais de ti me sinto, assim, tão triste,
Junto dos meus zumbidos funéreos.