Jose Rinaldo Pinheiro Leal

Desenterro

 

Poucos conseguem enxergar as flores,

Empoeiradas em meio aos escombros da tristeza.

Veem apenas o cinza da ilusão,

Ofuscando a luz da esperança...

Esperança que não morre,

Não importa aonde eu vá,

Nem o que eu faça.

Sempre resta um espaço dedicado a você,

Um vazio onde sempre me encontro só.

Um espaço obsoleto que me prende...

É o espaço que não me cabe sem você.

Espaço frio, pouco ventilado,

Onde nem mesmo a luz chega ao interior.

Espaço da dor, do medo, das lágrimas...

Da solidão.

São os laços que me prendem a você.

É apenas uma noite fria e chuvosa,

Com cara de enterro...

Ou melhor:

Desenterro,

Trazendo meus sentimentos do além,

Para me assombrar.