Por que varrer a poeira,
se nova camada, no ar,
espreita sorrateira,
para, então, se acomodar?
Sem pressa, sem zoeira,
deixe a poeira assentar,
não há motivo para apressar,
o tempo a amalgamar.
Cada grão fixa uma imagem,
onde miragens interagem,
como lembranças e saudades
vividas em várias realidades.
Não ceda ao ansiado prazer
de impulsivamente varrer
a poeira para debaixo do tapete
das memórias, sutis lembretes
perdidos no tempo presente.
Rompa esse tabu intocável,
guarde a poeira da vida,
tal qual um bem venerável,
pois, contém e olvida
fugaz memória implacável.