Victor Severo

Armadilha.

A noite vem e com seu sopro frio inflama.

O peito hirto e convicto que fragilmente ama.

Sozinho, sem ninguém, abandonado em seu drama.

Que febril, luta contra as horas, louco a rolar pela cama.

 

O dia chega também e com sua ígnea chama.

Calcina o coração daquele que reclama.

Da sorte da solidão, que seu magma derrama.

Destruindo sem perdão, este que triste clama.

 

A noite vem novamente com sua calma que engana.

A urdir grosso tecido, de inescapável trama.

A lhe exilar insensível em intransponível alfama.

A lhe afogar impassível em podre e profunda lama.

 

E nisso toda a pobreza que hoje dele emana.

Alimenta o monstro que aos poucos lhe esgana.

Aumenta a aspereza que se transforma em sanha.

No peito hirto e convicto que fragilmente ama.