Shmuel

Brasiliência

O senhor me dê licença,

Mas esse termo eu vou cunhar

É assim que se escreve…

bra-si-li-en-cia,

Sim, meu senhor, eu tenho essa coisa em mim,

Trago livros volumosos no lombo,

E um sorriso amarelo, quase espontâneo,

Trago porões frios e memórias lançadas ao mar

Ganhei fama de preguiçoso,malandro e saqueador,

Colocaram meu caráter em jogo,

Então me tornei jogador,

conheço as trilhas que levam ao      paraíso e ao inferno,

Tenho índios, negros e europeus, dançando nas minhas veias, fazendo seus ritos e sinais de fumaças,

Sou padre, pastor, e babalorixá,

Eu sou a resistência, sou múltiplo e safo,

Sei dos meus antepassados a dor,

 e reconheço meu poder de resiliência

Fui forjado nos rios, morros,

becos e vielas,

Desci ladeiras,

Subi desfiladeiros e colinas,

 venci, perdi,

Ressuscitei ao terceiro dia,

Sacudi a poeira,

Peguei trem lotado,

Comi o pão o que senhor amassou!

Cuidei dos meus irmãos

 protegi minhas irmãs

Das garras fétidas dos desbravadores encachaçados,

Eu… sou aquele que os teus livros

omitiram.