LEIDE FREITAS

MANHÃ

MANHÃ

 

Ainda era cedo, e o Sol dourado

já despertava a alvorada, pressurosa,

desnudando segredos da madrugada,

relegando a aurora ao segundo plano.

Menina ainda, de olhos semifechados,

mal acordava, espreguiçando os braços.

 

Nessa calmaria de frescor de inverno,

as árvores das ruas mal arborizadas 

estendem à luz seus galhos preciosos.

Buscam nutrir as raízes sedentas

na terra seca, sob o asfalto quente,

enquanto anseiam pela chuva benta.

 

Um pássaro em seu ninho cantarola,

tecendo acordes ao amanhecer,

enquanto a terra em festa se desenrola.

O orvalho brilha sobre a relva mansa,

a vida ganha um novo compasso

sob a claridade que o horizonte abraça.

 

O dia tira dos ombros o lençol das eras,

desperta luminoso, vívido e saltitante.

tece as longas horas do sol se enfeitando

para o encontro com a noite, sua amante,

sob o manto negro bordado de estrelas,

quando o mundo cala e o amor se revela.

 

Leide Freitas