VELHA INFÂNCIA
No inverno da minha infância,
Eu tomava banho de chuva,
Livre e solto nos terreiros;
Ficava embaixo da bica,
Para lavar meus cabelos.
Com uma imensa alegria,
Cada chuva era esperada;
Ao ouvir longe a trovoada,
A gente corria pro quintal,
Sentindo os pingos na pele.
A chuva molhava o corpo,
Com os pés cobertos de lama,
Entre gritos de alegria,
A gente ia brincando,
Perdendo a noção do dia.
No inverno da minha infância,
A gente brincava tão livre,
Correndo pelo quintal,
Pois só criança é que sabe
Como brincar de verdade.
No inverno da minha infância,
Tinha o bolo de fubá,
Que a vovó ia assar;
E para o frio espantar,
Um café bem quentinho,
Vinha a mesa perfumar.
Leide Freitas