LEIDE FREITAS

GRITO

GRITO

 

Talvez eu escreva que as folhas tenras,

ainda crianças, balançam ao vento

nas copas verdejantes de suas madres,

sonhando com possíveis viagens

enquanto observam o mundo animal.

 

Escreva que as nuvens níveas,

qual algodão luminoso ao sol,

brilham irrequietas no céu azul

e se movem na velocidade dos ventos,

indiferentes ao mundo dos homens.

 

Mas a verdade precisa ser dita,

mesmo que meu alcance seja pouco,

não reverbere nunca na multidão

e meu grito morra baixo e rouco:

é de violência que quero falar.

 

Há tanta gente sem emprego ou pão,

implorando por esmolas nas ruas,

dormindo sobre o concreto e o chão

de capitais e cidades pequenas,

sendo corpos invisíveis na calçada.

 

O governo há muito já não dá vazão:

entrega auxílios escassos, mensais,

que mal garantem o triste pão.

O socorro atrasa, falha e míngua,

e nunca chega a quem mais precisa.

 

Leide Freitas