Jonas Teixeira Nery

Palavras soltas

Palavras, só palavras sobraram nesta luta desigual.

Soltas, torturantes, imprecisas,

vacilantes poesias nessa busca constante,

na construção dos versos, em sôfregas sintonias, essas palavras.

 

Perfume, inspiração vinda das sensações incertas,

clamando pela cumplicidade, nessa sinfonia, nessa musicalidade,

desses versos inacabados, corroídos,

nessas páginas velhas, atiradas a esmo nesse quarto...

 

Capturar as palavras, construir rimas, sentidos,

lentamente acordar, saindo desse labirinto de palavras,

sem ilusão, em revigorante sensações desnudadas,

plenas, moldadas na construção de um poema.

 

Inspiração vinda dessa paisagem imprecisa,

entre dissabores, sonhos ou voos incertos,

preso na desvairada incerteza dessas palavras,

sem opressão, nesse vazio de rimas e prosas.

 

Ardente desejo vinculado a essas folhas soltas (cheias de palavras!),

disseminando meu cansaço nesse destino traçado,

de um poeta amargurado nessa prisão, sem rima,

desatinado com a inspiração perdida, numa esquina tortuosa.

 

Assim termina meus sonhos, meus versos?

Com palavras em ciladas sem expressão,

abandonada no canto, descabidas,

essas palavras tristes, sem contorno, nem poesia.