Olhando para vida, para saber porque morri.
Como pode eu ter sido o que vi?!
Sentado no sofá, esperando o tempo passar,
Ouvindo as noticias e não fazendo nada para mudar.
Casei e tive filhos, mas a eles nada transmiti.
Braços quebrados, pés paralisados,
Para nenhum lugar pude ir.
Mente conformada e acomodada,
Por isso, nada produzi.
Como morri, se nem viver consegui?!
Vivi e nem vi, que a preguiça reinava ali.
Ela chegou, mas nem percebi.
Dela comi e me enchi.
A preguiça me segou os olhos, pois perdi a esperança de enxergar.
A preguiça tapou meus ouvidos, pois ouvir não queria mais.
A preguiça quebrou-me os braços, pois produzir me era um fardo.
A preguiça paralisou minhas pernas, pois nada mais queria alcançar.
A preguiça me trancou na cama, sempre a dormir, pois sonhar não conseguia mais.
A preguiça me matou, pois seu reinado e a boa vida não se casam.
Morri, e nem percebi,
Com a minha vida na lapide escrevi:
A preguiça reinou aqui.