MEU ANJO!
Sentia na pele o calor brando do sol
e sorria, grata por tamanha dádiva.
Caminhava sem pressa pelo jardim,
aspirando o perfume suave das flores.
Como um beija-flor sempre inquieto,
amava todas as espécies,
mas eram as mais coloridas
que lhe roubavam os sentidos.
Pisava a relva que há pouco regara,
sentindo a água nos pés descalços,
e suspirava um prazer genuíno.
Olhava o Sol como ao astro-rei,
com um profundo e terno respeito;
banhava-se na graça de sua luz
apenas no frescor da manhã.
Lá do paraíso, a mãe a vigiava
e sorria para a sua menina no jardim.
Um coração imenso, um riso constante...
Apesar das quedas e dos tropeços,
ela sempre se erguia,
enxugava os belos olhos quase negros
e seguia a caminhada da vida.
Sua jornada nunca foi fácil,
mas manteve-se íntegra em cada passo,
guiada pela ética e pelo amor.
Agora ela encontra a paz. Está feliz.
E uma mãe nada mais pode desejar
além da calmaria de sua cria.
Sinto, de repente, um vento suave nos cabelos.
Um aroma delicado de infância ao meu lado.
Respiro fundo e sussurro:
— Obrigada, mamãe.
Leide Freitas