LEIDE FREITAS

LINGUAGEM

LINGUAGEM 

 

Numa noite de sonho, embevecido,

O Tempo parou a vez primeira

A ouvir os sussurros de amantes

Que, igual a duas liras semelhantes,

Tocavam juntos um dueto ímpar

De amor, de ternura; e a melodia

Fazia levitar a quem ouvia.

 

O Tempo parou para escutar.

Não se sabe ao certo o que falavam,

Pois de outros tempos era a linguagem,

Diferente, envolvente e sussurrada.

Mistério que a noite guarda em segredo,

Sons que os mortais não sabem decifrar...

Seria de anjos, bruxinhas ou fadas?

 

Quem vai saber ou duvidar?

Não precisa com palavras explicar.

A linguagem de amor é sempre única:

O amor com amor se compreende,

É com o coração que se entende,

No silêncio que os olhos sabem falar,

A linguagem de todos os amantes.

 

O Tempo parou para escutar,

Apurando o ouvido além do mar.

A linguagem pode até ser esquisita;

Uma palavra de amor, mil vezes dita,

Só aos apaixonados pode agradar.

Sai o Tempo voando a toda pressa:

Como Deus, ele não pode atrasar.

 

Leide Freitas