MANIFESTO AO PLANETA AZUL
É verdade o que o mundo testemunha:
A terra treme em sinal de desafio,
Rompe o silêncio de suas entranhas
Contra o profundo e total desequilíbrio
Que a humanidade impõe ao seu seio.
Em seguida vem o som da terra,
Um abalo intenso que desafia a vida
E soterra aqueles que, por destino,
Foram habitar em zonas de perigo:
Nos montes, vales e ribanceiras.
O homem insiste em saquear o solo
E, cego por sua desvairada fúria,
Exaure os recursos do planeta.
Na ilusão arrogante de dominá-lo,
Subverte as leis ancestrais da natureza.
A criatura redesenha a face do mundo,
Soterra a vida de pântanos e mangues,
E, para ampliar a escala dos desafios,
Desvia o curso natural dos rios
E altera a dinâmica dos oceanos.
Mas o que o homem colhe, no final,
É a soberana revolta da matéria.
Uma cobrança implacável que devasta;
A resposta do planeta é cirúrgica,
Só não enxerga quem a lucidez recusa
Manifestam-se violentos tremores,
Os vulcões rompem em chamas,
Incêndios criminosos devoram matas,
Reduzindo florestas milenares a cinzas,
Deixando o solo estéril e desolado.
A terra encontra-se sufocada,
Ferida em sua inabalável dignidade,
Exausta de suportar tanta ingratidão,
Tanta miséria espalhada por seu chão
Em nome do progresso e do poder.
Quando pensam nos recursos do solo,
É com a intenção explícita de extraí-los,
De enriquecer à custa de suas veias,
Deixando a sua geografia quase nua,
Exposta ao ímpeto das tempestades.
O mundo ainda segue intoxicado
Por nuvens de poeira e outros gases.
Envenenam o ar que respiramos,
Contaminam o solo que nos alimenta
E as águas que matam a nossa sede.
Diante de tanta devastação,
O que restou intacto?
Quase nada.
À humanidade resta a postura inversa:
Corrigir o rumo antes do colapso.
Urge aprender o respeito pela vida,
Conservar e regenerar a biosfera,
Pois não há outro lar no universo.
A força soberana da vida há de falhar
Fontes e ventos silenciando a Terra
O Planeta Azul será pálida memória,
Fagulha extinta na escuridão da noite,
Sem um herdeiro para contar o fim.
Leide Freitas