INSÔNIA
Madrugada de novembro
Horas longas, quase infindas
Noite insone de verão
Árvores suspensas no ar
Folhas mortas pelo chão
Nem um sopro na folhagem
O vento fugiu à tarde.
Cães que latem unidos
Numa estranha irmandade
Papagaios que se agitam
Com uma humana saudade
Calopsitas em abandono
Gritam em gaiolas e quintais
Talvez estejam sem sono
Pensamentos em ação
Que teimam em ir e vir
Sem rumo, sem direção
Um galo que canta longe
Um outro que lhe responde
Vão tecendo a madrugada
E ainda estou insone
O sono está em algum lugar
Leve, solto e saltitante
Brincando com minha vigília
Sempre arisco e distante
É como um marido ausente
Que deixa a esposa amada
Para ficar com a amante.
Leide Freitas