LEIDE FREITAS

POETA!

POETA 

 

Não sou poeta:

brinco com as palavras

em velhas cirandas

ou esconde-esconde

ao bel-prazer do dia.

 

Ora elas dançam aqui

pulsam no meu íntimo 

ora dissipam-se nos ares

É preciso que eu me cale

para, enfim, senti-las.

 

É preciso espreitá-las

por trás dos muros

nas copas densas

nos cantos escuros

da noite recôndita do meu ser.

 

É preciso ir buscá-las

em noites enluaradas 

em dias acesos

brilhantes ou nublados

nas frestas secretas do tempo 

 

E quando nos esbarramos

ao alvorecer ou fim do dia

um laço antigo se refaz

e juntas nos desdobramos

em pranto, canto e poesia.

 

Leide Freitas