POETA
Não sou poeta:
brinco com as palavras
em velhas cirandas
ou esconde-esconde
ao bel-prazer do dia.
Ora elas dançam aqui
pulsam no meu íntimo
ora dissipam-se nos ares
É preciso que eu me cale
para, enfim, senti-las.
É preciso espreitá-las
por trás dos muros
nas copas densas
nos cantos escuros
da noite recôndita do meu ser.
É preciso ir buscá-las
em noites enluaradas
em dias acesos
brilhantes ou nublados
nas frestas secretas do tempo
E quando nos esbarramos
ao alvorecer ou fim do dia
um laço antigo se refaz
e juntas nos desdobramos
em pranto, canto e poesia.
Leide Freitas