MORTE!
A morte acontece
Ainda no ventre:
No feto que desce,
No aborto que sente.
Estrela cadente
Que morre ao nascer...
Um sopro, semente
Que cessa o crescer.
Morremos, quem sabe,
De morte matada
Ou morte morrida.
Morremos na pressa,
Em trágicos cortes:
De carro, de moto,
Nos trilhos, nos nortes
Nas curvas da estrada.
Morremos também
Por falta de amor,
No ápice do medo,
Na carne da dor.
No assalto violento,
No vírus que cala,
Na dor do lamento,
No gume da bala.
Se a morte é certeza
E não tarda a chegar
Nos resta a audácia
Para a vida saudar:
Saber abraçar o tempo
Ver o futuro chegar,
Enquanto houver espaço
Viver, sorrir e amar.
Leide Freitas