Sempre fica alguma coisa.
Fica a graça dos teus passos na minha cama,
os fios dos teus cabelos nos lençóis,
a marca dos nossos sentimentos, em convulsões.
Fica a vida neste percurso claro, entre divagações.
O sêmen, somatório dos nossos gozos, nessas marcas.
Longamente, nas carícias, nos beijos,
enfeitiçando o tempo a nossa frente, nesse entorno.
Vem o aconchego que teu amor oferta.
Vem os sons sentidos dos segredos ditos,
sem a preocupação latente das horas quentes.
Anoiteceu! Sombras dissolvem essa claridade!
Embriagados de volúpias, construímos descaminhos,
Em abandonos anunciados entre frestas desse tempo,
como se não fosse sonhos esse acontecimento!
Ficam as canduras dessas noites plenas, essa melancolia!
Ficam teus cabelos espalhados pela cama,
essa sofreguidão fica, como prenuncio de uma nova volta.
Sempre fica alguma coisa, nessa nudez,
nesses teus seios alvos, nesses convites indecorosos...
Fia esse desatino, dormindo profundamente entre esses sonhos,
essas delícias, esses suspiros alucinantes, sucumbindo-nos.