TÉDIO
Estou vazia de emoções
Deserta de sensações
Ainda assim, viva
Será o bastante?
Não sei!
Só sei que neste instante
Não há alegria, nem dor
Sou apenas o eco indiferente
De um imenso vazio exterior
Olho com certa distância
Para a pressa dessa gente
Que esquece o essencial
Na urgência do capital
Escrava do tinto do relógio
Gente que persegue o cifrão
Quer comprar a imensidão
Cruzar fronteiras, ir além...
Mas não bota os pés no chão
Da própria terra que tem.
E os laços?
E o amor?
E a amizade?
Onde os afetos habitam?
Sem o zelo do olhar
Secam no abandono
Deixam de pulsar
E como folhas no Outono
Desintegram-se devagar.
Leide Freitas