LEIDE FREITAS

TÉDIO

TÉDIO 

Estou vazia de emoções

Deserta de sensações

Ainda assim, viva

Será o bastante?

Não sei!

Só sei que neste instante

Não há alegria, nem dor

Sou apenas o eco indiferente

De um imenso vazio exterior 

 

Olho com certa distância

Para a pressa dessa gente

Que esquece o essencial

Na urgência do capital

Escrava do tinto do relógio

Gente que persegue o cifrão

Quer comprar a imensidão

Cruzar fronteiras, ir além...

Mas não bota os pés no chão

Da própria terra que tem.

 

E os laços?

E o amor?

E a amizade?

Onde os afetos habitam?

 

Sem o zelo do olhar

Secam no abandono

Deixam de pulsar

E como folhas no Outono

Desintegram-se devagar.

 

Leide Freitas