Daniel Q

Respiração

 

 

Uma janela se abriu

As frinchas das casas, as janelas dos rostos,

Os sulcos nas gargantas e as flores setembrinas.

A morte, já saciada, não clamava mais por seu cortejo.

A terra fartamente adubada de amores, de dores, de ais,

Era novamente convite aos casais.

A vida venceu como sempre o fez

E a pálida estuporada criatura, ainda é homem,

Abatido mas pulsante, rasgando a carne, buscando o ar.

O vento gélido e pútrido de outrora,

Agora impoluto, anunciava a primavera.

O sangue profanado estava limpo, a tumba vazia,

A guerra acabara.