Carlos Lucena

NO OCASO DA VIDA

NO OCASO DA VIDA

Agora já quase sem dedos
Aprendi catar sonhos.
E por isso durmo um pouco mais.
Já quase sem dedos
Aprendi a prender os medos
Na palma das mãos.
Os sonhos vou catando
E os medos vou prendendo.
Agora ja quase sem tato
Aprendi que a pele é frágil
Mas o coração 
É quem subscreve os sentimentos.
Ele assina com autenticidade
O fulgor ou a frieza de todos os momentos...
A pele é só divertimentos.
Agora que meus dedos
Já não são mais tão longos
conheci a fortaleza das mãos entrelaçadas
Pois em algum tempo
Eram apenas punhos de mãos dadas.
E hoje já sem a volúpia de antigamente
Compreendi que os beijos
Que antes eram a soma dos desejos
Hoje são prelúdios 
De quem ama eternamente.