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Paulo Roberto Varuzza

Sem rosto

Da minha janela, no primeiro andar,

Eu olhei para ela que estava tomando sol

E percebi que ela não tinha rosto,

Então o gosto do desgosto invadiu a minha boca,

Que tentava beijar o retrato dela

Dependurado no muro escuro que havia no vão

Entre o meu coração e ela,

Se ela não tinha rosto,

O retrato não era dela

E a minha mão direita,

Tentando salvar a minha boca de uma desilusão,

Pegou o retrato, que não era dela, pois tinha rosto

E o jogou numa viela,

Isto posto, o meu amor por ela,

Acendeu uma vela para procurar o retrato que não era dela

E, não o encontrando, fugiu com a vela na mão

Pela viela,

Aí, o meu coração vazio,

Sentindo a solidão agora hóspede dele,

Chorou até molhar os meus olhos,

Que também choravam por não ver o rosto dela,

Mas, convencidos de que era só uma ilusão,

Tentaram dizer ao meu coração,

Que o amor por ela voltaria um dia,

Mas foi em vão.