Nelson de Medeiros

RÉU CONFESSO

RÉU CONFESSO
 
 
Não posso mais manter este segredo:
Ato passional perfeito e acabado!
Nele, porém, não existe pecado,        
Pois crime de paixão eu me concedo!
 
Ilícito  de  ardor  imaculado;
Por isso esta infração não me dá medo!
E se a lei apontar-me  com seu dedo,
Eu nunca  aceitarei ser condenado!
 
Quanto a ti, jamais dirão que és culpada,
E se algum dia assim fores julgada
Eu prometo assumir o crime inteiro!
 
Então me tornarei  um réu confesso,
E sem defesa, sem  qualquer processo,
Para sempre serei  teu  prisioneiro!