A todos te apresentas de beleza
Rara, que a qualquer homem conquista.
Por mim, observador, noto a presteza
Com que tu te mostras tanto narcisista.
Procuro desvendar que sutileza
Se esconde no teu rosto; e qual a pista
Que me leva ao mistério– e, com certeza,
Perscruto cada traço, olhar de artista.
Vejo que muitas vezes tens no espelho
Um confidente e pede-lhe conselho,
E, ali, absorta, ficas num mutismo.
É que, em teus olhos negros, o estrabismo
Discreto tu o vês belo; e, no fundo,
Absorve-te, ausente deste mundo.